Estudo com I.A. mostra que órgãos envelhecem em ritmos diferentes
Mais de 25 mil biópsias de tecidos de órgãos humanos foram analisadas. O pico acontece entre os 30 e 50 anos de idade.
Ao contrário do que muita gente pensa, o nosso corpo não envelhece por igual ao longo do tempo. Uma pesquisa recente publicada na revista Nature Aging revelou que cada órgão tem o seu próprio “relógio biológico”, e que as transformações mais marcantes acontecem entre os 30 e os 50 anos de idade.
Para chegar a essa conclusão, cientistas analisaram mais de 25 mil amostras de órgãos de 970 doadores, com idades entre 21 e 70 anos. Eles buscavam entender em qual momento da vida os tecidos do nosso corpo começam a dar os primeiros sinais de desgaste.
As três trajetórias do envelhecimento
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A pesquisa descobriu que o envelhecimento dos nossos órgãos se divide em três ritmos diferentes:
- Os que envelhecem mais cedo (aos 30 anos): as primeiras mudanças acontecem cedo, principalmente na circulação sanguínea (nas grandes artérias) e em alguns nervos das pernas.
- Os que envelhecem mais tarde (dos 50 aos 60 anos): outras partes do corpo continuam firmes durante boa parte da vida e só começam a mudar mais tarde. É o caso do sistema reprodutor feminino, que passa por transformações mais intensas no período da menopausa.
- Os que envelhecem em duas etapas (aos 30 e aos 50 anos): É o padrão mais comum no corpo humano. Órgãos como estômago, intestino, próstata e ovários passam por um primeiro “pico” de envelhecimento por volta dos 30 anos e um segundo pico na casa dos 50.
Uso de I.A. nas descobertas do envelhecimento
Para conseguir examinar esse grande volume de tecidos humanos, os pesquisadores criaram uma ferramenta de Inteligência Artificial chamada PathStAR. O sistema analisou as imagens microscópicas de cada órgão e calculou a velocidade com que as células mudavam ao longo das décadas.
O que isso muda na saúde?
No Brasil e no mundo, a população idosa cresce a cada ano. Dados apresentados pelo IBGE em 2023 mostram que, pela primeira vez, existem mais pessoas idosas do que jovens no Brasil. A grande vantagem dessa descoberta é mudar a forma como a medicina cuida da nossa saúde.
Em vez de tentar apenas “retardar o envelhecimento” de maneira geral, a medicina poderá criar tratamentos e exames preventivos focados em cada órgão, agindo, por exemplo, na idade em que aquela parte do corpo começa a ficar mais vulnerável.
Apesar do avanço, os autores lembram que o estudo analisou um grupo específico de pessoas e que novas pesquisas serão necessárias para avaliar se esses mesmos ritmos funcionam igual em diferentes populações pelo mundo







