ARS ERÓTICA — Paixão Ritual
Estética do Obscuro | Simbolismo | Ocultismo
(apenas a imagem gerada por IA)
Também chamado de “Caminho da Mão Esquerda”, reúne doutrinas tântricas dos séculos VII e X d.C., que utilizam aquilo que é convencionalmente proibido ou transgressor como instrumento de transformação espiritual. Associado à deusa Kālī, símbolo do tempo, da morte e da dissolução do ego, o Vāmācāra busca atravessar os limites que separam o sagrado do profano. Séculos depois, elementos dessa tradição encontraram ecos no Ocidente esotérico, revestidos por linguagens alquímicas e simbólicas próprias, expressadas no poema abaixo.
Da profundeza ofuscante, mística e insondável,
Ergue-se, altiva, a alma.
E castiçais tremulantes, no incenso e n’amálgama,
Reluzem a essência da fera inefável.
Um ardor que devora a beleza inabalável,
Ergue-se no brilho da aurora ancestral.
E os sinos que vibram a mística impecável,
Consagram, em uníssono, a comunhão ritual.
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Avança a alcólita, pura e ardente,
A afar e matar o sacerdote do corpo,
Que uiva e lamenta em silêncio estridente,
O júbilo sidéreo das carícias do fogo.
Cantam gemidos que furtam a calma,
Rezando aos ouvidos a oração sensual,
E as carícias íntimas instigam na alma,
O fogo arredil de frenesi musical.
Grita, escarnece e se esparje em suspiro,
De entranha a entranha, a vibração visceral;
Despindo o teu robe num sorriso carnal,
Unindo os espíritos a ode eu inspiro.
Cantos de gritos em ritos de espasmo,
Em preces perenes do místico orgasmo,
Solene e mortífero, o ritmo frenético,
Que suportou as carícias da queda letal.
Por fim o feitiço, então, faz letárgico
Os instintos que se ergueram em paixão ritual.
…e suga o prazer do sacramento-união,
De eus que ascenderam os véus da ilusão.
- Egberto Pujol.









