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Gustavo Soares

Gustavo Soares

Porque não há nada para comemorar na vitória de Ciro Gomes no Ceará

3 min readOct 9, 2018

Eleições de 2018:

Votos para Governador do Ceará: Camilo Santana: 79,96%; General Theophilo: 11,30%; Hélio Góis: 6,53%

Votos para Presidente da República no Ceará: Ciro Gomes: 40,95%; Fernando Haddad: 33,12%; Jair Bolsonaro: 21,74%

Uma parcela significante da internet tem louvado o Ceará e o Nordeste pela inexpressão de Jair Bolsonaro lá. Os números não mentem. Segundo o IDEB, 82 das 100 melhores escolas públicas do Brasil são do Ceará. Com destaque para Sobral que teve nota de 9,1/10 em 2018. Sem contar a quantidade de cearenses estudantes e formados pelas melhores universidades do país e medalhistas em olimpíadas nacionais e internacionais. Mas agora, a quantidade de votos para outros candidatos realmente são um indício da superioridade intelectual dos cearenses?

Retirado de g1.globo.com

Com a maior quantidade de votos dentro do estado ficou Ciro Gomes. Membro de uma das famílias mais tradicionais da política cearense. Família essa que se mantém influente desde o berço da república no Brasil. Um irmão é ex-governador e agora vai ser senador, outro é ex-deputado estadual e prefeito de Sobral, outro irmão é secretário de governo, uma irmã é pré-candidata a deputada estadual, sua ex-mulher já foi senadora e hoje é conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Ceará (cargo vitalício), nomeada no governo Cid Gomes. Muitos creditam a essa família a revolução na educação pública do Ceará, enquanto outros (inclusive professores) denunciam os casos de manipulação e fraude nos testes (CartaCapital: https://www.cartacapital.com.br/blogs/vanguardas-do-conhecimento/a-verdade-sobre-o-ideb-de-sobral; Spotniks: https://www.youtube.com/watch?v=Cp6I-2lvGuo)

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Em segundo lugar vem Fernando Haddad, estepe de um partido envolvido no maior caso de corrupção usando obras públicos registrado do país, partido que teve o cargo mais alto do executivo por mais de 13 anos e que no fim desse período protagonizou a quarta maior recessão dos últimos 150 anos (CODACE-FGV: https://blogdoibre.fgv.br/posts/chegou-ao-fim-quarta-pior-recessao-brasileira-dos-ultimos-150-anos). Fernando Haddad deixou uma impressão tão boa na cidade em que foi prefeito que falhou em conseguir um segundo mandato recebendo apenas 16,7 % dos votos válidos.

Assim, achar que o voto nesses candidatos evidencia o vasto conhecimento dos eleitores cearenses em História chega a de ser de uma cegueira inacreditável. Olhando para trás, o que a gente percebe são só danos causados pelas oligarquias e aristocracias que tantas vezes colocaram os interesses do povo de lado para beneficiar os seus. Império, república velha, estado novo ou ditadura militar: só muda quem tá lá em cima, o povo continua catando migalha.

Eu sou tão bairrista quanto o próximo cearense. Tenho orgulho de falar em todo lugar que nasci e me criei em Fortaleza. Queria muito passar na cara de todo mundo o quanto a gente é foda. Mas o que explica a força de Ciro e de Haddad no Ceará, infelizmente, são os resquícios do coronelismo. Essa prática nojenta que insiste em tomar de conta do meu estado.

Quem conhece política no interior do Ceará sabe o poder que as famílias tradicionais e os caciques da política têm lá. A compra de voto, a disseminação de boatos, os ataques pessoais e a perseguição. Nada disso parou de acontecer. O resultado disso a gente vê em um candidato apoiado pela família Ferreira Gomes eleito com 80% dos votos e um membro da família que só conseguiu ganhar no estado que comanda.

O dia que o Ceará vai se ver livre de quem só lhe quer sugar ainda não chegou. A luta continua.

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