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a Terra ancestral e o mundo mais-que-humano

2 min read1 day ago

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Ibitipoca, MG — foto do autor, 2026

A Terra é nossa ancestral. Tão antiga quanto incontáveis gerações passadas, ela viu muitas delas surgir e partir. O que há em comum entre nós e todos os seres que viveram é a nossa conexão com o mundo que habitamos.

No pensamento indígena, é comum o respeito pelas várias formas da Terra: o rio, a floresta, a montanha, a praia. Cada paisagem, ou cada bioma, representa uma composição de cores, texturas, sensações, afetos e emoções. Como diziam os antigos povos animistas, cada lugar tem seu espírito.

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Os romanos o chamavam de Genius Loci — o espírito do lugar. Esse Numen (presença, potência) era representado muitas vezes como uma entidade protetora, uma maneira de antropomorfizar aquilo que não compreendíamos.

E fizemos muito isso. Criamos deuses antropomórficos para representar as forças da natureza. É uma pena que o materialismo moderno, em vez de tentar compreender psiquicamente esses símbolos, tenha simplesmente preferido descartar todo tipo de existência mais-que-humana num ateísmo inocente.

Cabe a nós, que ainda temos alguma sensibilidade, recordar as muitas formas de vida que habitam este mundo. A Terra já foi vista como uma Mãe Cósmica, Gaia. O rio já foi habitado por ninfas; os jardins, por fadas; as florestas, por elfos e gnomos. O mundo fantástico é a dimensão dos nossos sonhos, um mundo a ser desbravado como nossas emoções. Esses espíritos dos lugares são as representações anímicas de algo que, diria Jung, se expressa honestamente pela mitologia.

Escutemos as vozes ancestrais daqueles que vieram e se foram. De algum modo, eles continuam ressoando nos ciclos do mundo, no tempo sem fim da Terra, a mãe de toda a vida.

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