descer às sombras
Partimos do pressuposto de que a escuridão atrapalha nossa visão. Nas sombras, vemos imagens distorcidas, coisas que não existem, movimentos falsos. É como se a verdadeira realidade acontecesse sob a luz; como se apenas sob o Sol víssemos o que é real.
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Mas por que não o contrário? A luz do dia também atrapalha, ofusca e elimina aquilo que só podemos enxergar de verdade no escuro. É na penumbra, ao menos, que as coisas reais aparecem.
Em práticas antigas, a sabedoria surgia da Catábase, a descida do herói ao submundo, ao abismo que não se vê na superfície tocada pela luz. Orfeu, Odisseu e, não nos esqueçamos dela, Inana, são adeptos da psicologia profunda — daquela que reconhece que não podemos ignorar o que acontece nos lugares escuros.










