Vermelhava o manequim no carmim do pôr do sol. Lolita já ia encerrar o bregueço.
À tardinha tudo corre, o comércio, os sonhos, as moças balonando aquele vestido de moda, os carros, as motos e dois meninos que vinham partidos de não sei de onde, mas vinham esfomeados.
Eles aproveitaram que a dona da loja havia saído, e patinhamente se arrebeiraram ao manequim. Ele posava com suas alindadas silhuetas. Não tinha cabeça; estava rosa, porém senenhuma vergonha. Era um corpo nu.
Um deles afoitou e passou-lhe a mão nas ancas, rodopiou até a pelve e desceu ela... a uma bossa, que emulava a convexidade que faz a mala de um homem. Eles ainda não era o Homem. O outro menino mexia no peitoral do manequim, e naquele assédio, violentando aquele manqueim, eles ficaram duros.
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Lolita chegou na hora e mandou xispar.
— Ei seus tarado! que estão fazendo aí! Bora, puxem o beco, infitetes!
Eles correram cruzando pernas, ajeitando-se nas roupas, para afogar-lhe as vergonhas.
Um virou para o outro e indicou o beco mais próximo e dirigiram ali um curta de cinema.




