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[09/10/25] Protejo, Projeto e eu nunca mais assisti This is us

5 min readOct 10, 2025

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E u nunca mais assisti This is Us. Se você que se aventurou a ler já teve a oportunidade de ler que bom, se não, dê uma chance, minha escolha tem pouco a ver com a qualidade da série ter me desapontado, pelo contrário, eu a vejo tão intensamente conectado que me inibe de continuar por vários fatores emocionais que aconteceram

“Keep the memories of who I was before” — Tyler Joseph

Embora eu seja uma pessoa muito introvertida, volto sempre aos pensamentos e sentimentos internos, evitando a conexão longa com a realidade das alteridades alheias, eu me considero um péssimo fugitivo da realidade, como que eu me forçasse a todo tipo de sofrimento. Nunca deixo que as fugas durem mais que horas, volto sempre a pensar, querendo espremer todo e qualquer afeto em lógica, toda irritação em raciocínio.

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Neurose que poderia ser produtiva se não precedesse quase sempre uma paralisante onda de ansiedade. Aqui vale explicar: me vejo em situações que amo descrever como “terrife” Gosto de como esse estado de terror soa como “terrificado”. E fico bem paralisado mesmo, em alguns momentos não como metáfora, mas exatamente como se os pés grudassem no chão, o coração acertasse contra os ossos do peito e o corpo alertasse que algo de fato terrível iria dizimar a mim em breve. Anos de terapia e aulas de psicologia ajudaram a responder, inclusive antes desses momentos mais agudos, que não, a dizimação era uma possibilidade remota revivendo os momentos que me levavam aos anos iniciais da minha vida.

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Porque mesmo assim eu gosto tanto de “sofrer de verdade”?” sem me permitir evitar sempre? penso que a responsabilidade em lidar com as emoções surge justamente por acreditar que não teria ajuda ou alguém para repartir essa ansiedade. A muito isso já não se traduz na realidade, de forma alguma. This is me. Mas por que não permitir que o “us” volte à tona? ainda mais agora que encontrei ouvidos e olhos atentos dos quais recebo amor de modo nunca antes experimentado. Posso dizer, que talvez minha maior companhia além da preocupação de não incomodar era a companhia de um pôr do sol daqueles que não podemos esquecer, já que o sol continua brilhando, mesmo já abaixo da linha do horizonte. Continuam os nomes nas listas, as histórias na memória, os quadros e desenhos onde eu posso ver, claramente. Em tons de rosa e laranja o céu continua, mesmo que mais sutil, iluminado. Sempre vai ter um pouco dessas cores na minha paleta favorita, mesmo que diferente agora.

Fabricar um novo sentimento é difícil, como pode-se ver. Reconciliação ou gratidão, levam tempo. Mas destruir ou apagar um deles, talvez nada seja tão arduamente trabalhoso e temo — mas no fundo agradeço — impossível. Logo você percebe meu drama inigualável neste século: Um incurável sofredor que se obriga a doer e ressoa na dor de um bom alento que foi esse fim de tarde de longos anos. Reler as cartas, as fotos e as discussões, justamente não conseguindo achar nada de pior do que das últimas vezes vem a mesma dor, nada de novo sob o sol, ou agora sob a lua, juntando Salomão e minha própria ideia, já que jamais serei tão sábio quanto ele. Eu fujo na incapacidade de mudar o mundo na incapacidade de mudar a mim mesmo, como se esse realmente fosse o dilema da minha penitência. Quando eu descrevi a desilusão como a perda de uma perna, veja, nunca pensei na dificuldade de andar, mas talvez na dor de não poder mais me levantar sozinho. Eu precisei de ajuda pra aguentar esse anoitecer. De novo nisso. Mais um mês sem assistir This is Us, pelo menos.

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Heróis talvez nunca possam existir mesmo, e eu jamais possa ser salvo de modo passivo. Mas queria poder ser o apoio de alguém pelo restante dos meus dias, isso creio ter conseguido. Voltei aos melhores sonhos da adolescência e posso dizer que amor é um combustível que sempre te leva, não mais rápido, nem mais longe, mas ao lugar certo. Agora discordei do homem mais sábio do mundo.

Ficar apaixonado, pensando nesse “Pathos”, nessa doença que eu jamais queria me curar é um dos motivos. Mas diria ainda que, me vejo cada dia admirando menos a sabedoria de Salomão. Como poderia alguém pedir por sabedoria e não reconhecer nisso, a tolice de não ter pedido o fim dos problemas, só as condições para lidar com elas? Eu mesmo rodei por meses no ciclo de como lidar melhor com algo que deveria ser feito, não “resolvido”. Apenas feito e sustentado. E como é bom poder ser sustento e ter sustento para e na mesma pessoa. Porque infelizmente, a relação romântica volta e meia torna-se prioritária. Sei que é errado, não me sinto sábio, mas a tolice é humana e seguirei fazendo o que o meu amor, meu aterrorizado paralisar, minha nostalgia, a série em atraso e a saudade do pôr do sol me sinalizem para o lugar de responsabilidade por mim mesmo que eu assumi e sustento. Não sozinho, nem acomodado, mas sempre melhorando e humildemente reconhecendo o quão grande me tornei.

a lore do TOP acabou na primeira musica do álbum, já a razão de se contar uma historia sempre vai estar ali, com as musicas: Musicas salvam pessoas e sempre será necessário falar sobre isso.

Teria se orgulhado de mim se me visse hoje? Teria sido útil ao Jack naquela noite? Teria construído a ponte sobre os amores líquidos? Teria falado algo no primeiro dia de aula? Teria salvo-o do fogo a tempo?

Eu não sei, não posso saber.

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