Whitesnake — Starkers in Tokyo
Graças ao MTV Unplugged, disco acústico fez muito sucesso na década de 90. Ele ajudou a consolidar artistas consagrados (Nirvana), reunir velhos amigos (Kiss) e até ressuscitar carreiras (Capital Inicial). Para os fãs, era uma excelente oportunidade de ouvir releituras de grandes sucessos do passado e, por que não?, conquistar alguns novos fãs com a postura mais despojada e próxima do público.
Vendia bem, o que era mais importante.
O Whitesnake resolveu lançar seu acústico em 1997, mas com algumas diferenças. Não foi com a banda completa, nem num evento da MTV. Ao invés disso, apenas o vocalista David Coverdale e o guitarrista Adrian Vandenberg para uma minúscula plateia nos estúdios da EMI no Japão. O público japonês, normalmente muito bem comportado, arrancou um chiste de Coverdale, que pediu, ainda no começo da apresentação, “não tenham medo de se divertir”.
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O disco é uma viagem (curta) pela carreira de Coverdale, começando com músicas mais recentes “Sailing Ships”, “Too Many Tears” e “The Deeper the Love”, frutos de sua parceria com Vandenberg. As músicas se distanciam bastante do hard rock característico da banda, ganhando uma profundidade e uma melancolia mais setentista, graças ao brilhante talento dos envolvidos. Os arranjos são muito bonitos e a ausência de mais músicos colabora bastante para o clima intimista, praticamente informal da apresentação.
Os clássicos não poderiam faltar, e eles vão de “Love Ain’t No Stranger”, uma música pesada que fica mais dramática e menos explosiva aqui. “Can’t Go On” é outra composição da dupla, mas logo chega outro clássico, “Give Me All Your Love”. Mais uma vez, o peso dá lugar à classe. Nas mãos certas, mesmo os típicos rocks dos anos 80 ficam parecendo terem sido escritas para o acústico. Eles ainda mandam “Don’t Fade Away” e a voz de Coverdale está mais precisa do que nunca.
Pra encerrar, clássicos — claro. “Is This Love” fica ainda mais bonita na versão acústica. “Here I Go Again” é bonita de qualquer jeito, não dá pra imaginar Coverdale subindo num palco sem cantá-la. A grande surpresa é o encerramento, com “Soldier of Fortune”, do Deep Purple. O vocalista não tem vergonha do seu passado, pelo contrário. Cada vez que o revisita, é com reverência. Ela fecha com perfeição e delicadeza um disco que tinha tudo pra soar sombrio, mas é repleto de temas já conhecidos executados com muita segurança e, claro, o vigor de veteranos que amam o que fazem.
Algumas músicas ficaram de fora do disco e do DVD, “Burning Heart”, “Fool For Your Loving” e “Only My Soul”. As duas últimas aparecem no álbum Unzipped, uma coletânea de faixas raras, inéditas, demos e ao vivo da carreira da banda, lançada no último dia 19 — vale cada centavo.
O veredito? Uma trilha sonora deliciosa pra qualquer momento da vida. Abra um vinho, aperte o play e se deixe levar. David Coverdale é um dos poucos que podem se gabar de ter feito parte de duas bandas gigantes. O legado monstruoso que carrega é atemporal — e esse álbum simples e intimista é prova disso. O que ele gosta é fazer música. Pop? Comercial? Melosa? Pode ser, mas até nisso ele se destaca. Ninguém ultrapassa quatro décadas de carreira se não for muito bom no que faz.








