Comunhão
Jazem os músculos em hercúlea labuta para se manterem em pé. Doem os cabelos — despencados — um a um na clausura do corpo enrugado. Há vontade de ser chuva, vento ou qualquer experiência autêntica inumana; todavia, cortados por infortúnios que inundam o sangue até vazá-los nos ossos, dormem insones os homens da terra. São homens ctônicos. O rumor da terra gélida tem mais consistência do que as nuvens espumosas.
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Realidade acima de tudo e, portanto, desgosto profundo com tudo o que é real.
Apesar disso, um anjo repousa nos mistérios dos homens. Abre sua asa num manto de amor sobre as verdades do mundo. Seu cheiro compõe-se de belas rosas; elas abraçam os pulmões. Desliza um som, um sussurro que é, ao mesmo tempo, soberano e delicado como uma simples pétala. Música que excita a epiderme. Toca como a paixão de um primeiro romance.
Observam o anjo: doce, cálido e gentil como um sorriso de criança — os ctônicos não rastejarão para sempre, imundos, nessa terra árida; correrão sem rumo numa chegada cega, com cansaço significativo. O suor deve ser açúcar escorrendo à face das alegrias.
A comunhão da terra e do céu está feita. O amanhã clama para ser glorioso.








