Viena
O velho antiquário exibe
com fervor
o piano,
a coleção de mais 400 livros
e o Rudolf Steiner
sorri no espelho:
os dentes amarelados
dos cigarros
que fumei contra
o rosto pendurado,
exala o bafo da cave escura
que beijo na ânsia
de encontrar a luz,
uma língua de cerâmica
na vitrine
a molhar a rua,
a salgar a chuva,
a guiar-me cega
para dentro das
suas vísceras,
abertas, vivas
vermelho carmesim
quase quente:
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a recordação mensal
da minha morte.
Antes pudesse
voltar para casa
sem memória
e que o homem parado
fosse mais um produto
onírico;
antes pudesse encontrar
um monge budista
para me dizer que
nada fica o mesmo
para sempre -
e eu pudesse tolerar
esse dia que está por vir.







