Uma breve reflexão sobre Romanos 9
Certo dia o dono de uma grande propriedade liga para seu funcionário perguntando se as coisas estão bem.
Ao ser atendido o diálogo segue:
Patrão: “Como estão as coisas? Como tá meu papagaio?
Funcionário: “O papagaio morreu!”
P: “Morreu! Como?”
F: “Igual ao cavalo.”
P: “O meu cavalo morreu? Mas como?”
F: “Pelo fogo que pegou na baia dele.”
P: “Fogo? De onde veio esse fogo?”
F: “Da casa.”
P: “A minha casa pegou fogo? Mas como?”
F: “Pegou, a energia acabou, acenderam uma vela que encostou numa cortina e o fogo se alastrou.”
P: “Mas como assim a luz acabou?”
F: “Caiu um raio no poste no alto da lavoura, e saiu queimando tudo!”
P: “A propriedade toda pegou fogo?”
F: “Sim, senhor.”
P: “Mas por que você não me falou antes?”
F: “Uai, o senhor perguntou primeiro do papagaio.”
Sim, a piada é ruim. Ela ilustra a tentativa de dar resposta a um problema que ao invés de soluciona-lo só o piora. Quanto mais explicação se dá mais grave fica. Isso acontece em Romanos 9.
Paulo disse no capítulo 8 que absolutamente nada é capaz de intentar acusação, condenar ou separar os eleitos do amor de Deus. Porém, como isso é uma verdade se o povo eleito de Deus, os israelitas, em sua maioria rejeitava a Jesus? Presumindo esse problema o apóstolo abre o capítulo 9 falando de sua dor. A dor de ver seus compatriotas rejeitarem ao Senhor Jesus. Uma dor que o faz falar que prefere ser considerado maldito, se isso pudesse salvar seu povo.
Apesar disto, Paulo é enfático ao dizer que a promessa de Deus não falhou, pois nem todo israelita é de fato Israel. Em outras palavras, nem todos descendente étnico de Israel é de fato povo de Deus. Para provar sua resposta ao problema ele vai dar dois exemplos explicativos. O primeiro de Abraão que teve 8 filhos, contudo apenas Isaque foi o filho da promessa que carregou a bênção de Deus. O segundo de Isaque que teve dois filhos Esaú e Jacó, porém apenas Jacó carregou a promessa.
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Entretanto essa resposta gera um outro problema, um pouco maior, Deus ao escolher um em detrimento a outros estaria sendo injusto? A resposta é um enfático “Não!”. E para justificar ele vai usar, novamente, dois exemplos explicativos. Um positivo e outro negativo. Ele apresenta o contraste de Deus demonstrando misericórdia à Moisés e ao povo de Israel e não tendo misericórdia de Faraó, o qual teve seu coração endurecido por Deus.
Mas, essa resposta gera um novo problema, ainda maior. Se ninguém pode resistir a vontade de Deus, por que Ele ainda se queixa? Confesse, essa é a pergunta que todos nós desejaríamos fazer a Paulo neste momento. “E agora apóstolo dos gentios, como você saí dessa?”
Paulo responde, de forma irônica, “Quem é você, caro amigo, para querer discutir com Deus?”. E ainda segue dizendo que um vaso não consegue discutir com seu oleiro. Essa resposta parece ser mal educada. No entanto ele está citando uma mescla de duas passagens de Isaías e uma de Jeremias. Passagens em que os profetas falam da impossibilidade do vaso discutir com o oleiro, e que Deus tem poder de fazer do barro o vaso que desejar.
É após dizer isto que temos os versículos mais difíceis do capítulo. Deus suporta com paciência os vasos de ira preparados para destruição, com a finalidade de exercer misericórdia aos vasos de misericórdia preparados de antemão para a glória.
O que as vezes passa despercebido, é a forma como o apóstolo aplica esse ensinamento. Ele diz que todos os que aceitam a Cristo, judeus e gentios, são os vasos de misericórdia. E para justificar essa sua reposta, ele apresenta, outra vez, dois exemplos explicativos. Cita Oséias, onde Deus fala que um dia quem não era povo dele, os gentios, seriam seu povo. E cita Isaías, onde Deus diz que mesmo que Israel se torne um povo enorme apenas o remanescente seria salvo. Ou seja, esta configuração da igreja com pessoas de várias nações, e uma alta rejeição de israelitas a Cristo, estava prevista.
Como era de se esperar, isso gera um novo problema, “mas por que isso é desta forma?”. E de forma “inédita” neste capítulo, Paulo dá dois exemplos explicativos. Os gentios cream em Cristo, já os judeus, em sua maioria, tropeçaram na pedra de tropeço, Jesus.
Paulo não escreveu um tratado teológico, ele escreveu uma carta. E neste momento o objetivo dele é falar sobre o motivo de Israel estar, em sua maioria, rejeitando a Jesus e que isso não significava uma quebra da promessa de Deus, pois sempre foi do propósito eterno, do Senhor, alcançar todos os povos.





