Colcha de referências #10
Terça-feira, 18 de abril de 2017
As conversas que você tem. Os programas de TV, desenhos, filmes, séries e demais vídeos que você assiste. As músicas que você escuta. Os livros e os diversos formatos de texto que você lê. As fotos, exposições, ilustrações, grafites, colagens que você vê. As pessoas que você conhece. As experiências que você vive. Passado e presente se unem pra te contar uma coisa: tudo o que você absorveu desde que se entende por gente colabora pra que você construa a sua rede de referências, que, pode apostar, aumenta progressivamente de tamanho.
Você é o que você consome.
Até uma certa idade, eu fui a criança criada por televisão, de Xuxa a Castelo Rá-Tim-Bum, passando por Animaniacs, Passa ou Repassa e novelas mil. A TV dos anos 1990 já era cheia de referências, ou pelo menos de material audiovisual chamativo e interessante o suficiente pra que eu começasse a criar meu mural mental de referências. Crianças que nasceram em 1989 devem me entender. Desde que consegui instalar um CD da AOL, fui muito rato de Internet, de vasculhar a World Wide Web em relação a qualquer tipo de conteúdo, mesmo que com layout duvidoso no começo dos anos 2000. E sim, essa teia de referências só foi aumentando mais e mais a partir daí. Foi nos meus 20 e poucos anos que eu me toquei que podia utilizá-las, de fato, elas faziam parte de mim. Eu podia e priorizar algumas, aquivar outras, por simples falta de espaço na memória RAM mesmo. Foi quando eu vi meu motor criativo girando e eu precisando ecoar essas referências, fio a fio. Daí eu percebi que tudo isso junto, misturado e caótico me define, me nutre como mente criativa.
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Nós, de humanas, que trabalhamos para criar, recriar, co-criar, sempre nos inspiramos em alguém. Alguém não. Alguéns, muitos alguéns. Pequenos retalhos de diversas pessoas comuns e com talentos específicos que nos chamam atenção, e que usamos para costurar uma versão melhorada de nós mesmos, mesmo que por inspiração. Quando imprimimos nossas referências nos trabalhos, elas acabam se esgotando alguma hora. É quando caímos na real que criamos um grande emaranhado de inspirações ao longo de tantos anos de vida, e que o processo de absorver novas inspirações e reciclar algumas antigas vai ser uma eterna constante. É inerte, não adianta. Principalmente quando se tem um volume alto de informação disseminada, conteúdo produzido, vozes ecoadas e trabalhos distintos sendo feitos. Ao dar sentido a essas referências em produtos finais interessantes, sabemos que estamos fazendo um bom uso delas.
As referências não necessariamente precisam ter data, nome, hora e razão para serem usadas. Nossa cabeça não é um grande Pinterest que armazena tudo lindamente catalogado (mas pelo menos temos a rede social pra nos ajudar nisso!). Cabe a cada um de nós expurgar o que absorvemos da maneira que nos expressar melhor. E assim, o processo se repete de novo e de novo e de novo.
Spoiler: sim, vai existir um texto ainda este mês sobre minhas referências brasileiras sobre diferentes talentos e pontos de vista.








