A infância de Jesus e a nossa pressa
Neste domingo, 29 de dezembro de 2024, o texto que me foi proposto no Lecionário (Lc 2: 41–52) dizia respeito ao episódio em que Jesus, com doze anos completos vai com seus pais a Jerusalém para a festa da Páscoa e por ali fica, ouvindo e debatendo com os mestres da lei no complexo do Templo, até que seus pais o encontrem três dias depois. Jesus, então, não sem enfatizar que havia simplesmente permanecido na casa de seu Pai, retorna com seus pais terrenos e ali, em Nazaré, obediente a eles, cresce “em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens.” (Lc 2: 52).
Meditando sobre o texto, fiquei pensando no fato de que, apesar de suas extraordinárias capacidades, reveladas aos doze anos nos diálogos com os mestres da lei, que “se admiravam de seu entendimento e de suas respostas”, Jesus também foi crescendo em sabedoria, ou, como diz um comentarista, obteve uma “crescente consciência de que tinha um relacionamento único com o Pai e de que uma missão singular o aguardava.”[1]
Se até para Jesus, o Filho Eterno encarnado, a consciência plena de sua identidade e missão parece ter vindo aos poucos, por que eu tenho pressa? Por que quero saber tudo de uma vez? Por que ando ansioso, ao invés de esperar o tempo de Deus para mim?
Deus conhece a minha gula intelectual, que me leva a me perder em muitas leituras diferentes, que às vezes sequer consigo terminar, a muitas vezes não aprender o básico e já querer o avançado, a querer queimar etapas e, assim, ser tomado de grande ansiedade e, em seguida, frustração.
Com isso, o processo de conhecimento, antes prazeroso, torna-se um fardo ou, pior, um grande tormento!
Eu confesso, Senhor, o meu pecado e minha falta de sabedoria!
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Que, ao olhar para ti, Jesus, crescendo em graça e sabedoria, estatura e favor de Deus e das pessoas, eu seja curado da pressa e dessa minha gula intelectual, aprendendo a ir com calma, perseverando, sim, na busca por sabedoria e conhecimento, mas sem essa ansiedade que me atormenta.
Se o Senhor esperou, que eu saiba esperar também.
Faço minha a “oração” (sempre a interpretei assim) de Lenine na música “É o que me interessa”:
“Me traz o teu sossego, atrasa o meu relógio
Acalma minha pressa
Me dá tua palavra, sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.”
Que assim seja na minha vida, como foi na tua, querido Jesus, Senhor do tempo e de todas as estações da minha existência.
[1] Bíblia de Estudo Nova Versão Transformadora, p. 1650.







