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Guilherme Góes

Guilherme Góes

Escrevo sobre o que tenho vontade, sem compromisso em tentar emular algum tipo de intelectualidade ou agradar terceiros.

Impactos da ascensão das bets na sociedade brasileira

2 min readJul 10, 2025
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Imagem — AI

Nos últimos anos, os aplicativos de apostas, popularmente conhecidos como “bets”, têm ganhado cada vez mais popularidade no Brasil. Comerciais dessas plataformas tornaram-se praticamente onipresentes na programação televisiva brasileira, estando presentes em transmissões esportivas, novelas, filmes e apresentações musicais. Uma verdadeira enxurrada de marcas disputa um mercado bilionário — atualmente, mais de 200 empresas atuam nesse setor apenas no território nacional.

Tal popularização foi motivada, principalmente, por dois fatores: a paixão do povo brasileiro por esportes e a regulamentação governamental. Desde 2018, as apostas de quota fixa em eventos esportivos são legalizadas por meio da Lei 13.756/2018. Segundo dados da Receita Federal, as plataformas de apostas já renderam mais de R$ 3 bilhões aos cofres da União em 2025.

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No entanto, por trás desse mercado que aparenta ser apenas entretenimento, fonte de renda para famílias e arrecadação para o governo, esconde-se uma realidade preocupante. O vício em apostas está se tornando endêmico na sociedade brasileira. Quase todas as semanas, diferentes portais de notícias relatam casos de pessoas que perderam quantias significativas de dinheiro, a saúde mental, o emprego e até vínculos familiares devido à dependência em jogos de azar.

Além disso, a crescente epidemia de apostadores compulsivos tem gerado impactos relevantes no Sistema Único de Saúde. De acordo com alguns estudos recentes, houve um aumento expressivo na procura por atendimento psiquiátrico relacionado ao vício em apostas. Isso não apenas onera os cofres públicos, como também compromete o acesso de outros pacientes, que agora precisam disputar pelas já escassas vagas nos serviços de saúde mental com apostadores falidos.

Outro aspecto preocupante é o impacto do vício em apostas no consumo das famílias brasileiras. Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, a maioria dos apostadores das classes C, D e E tem redirecionado recursos que antes eram destinados à poupança (52%), ao lazer (48%) e à compra de roupas (43%) para as plataformas de apostas. Essa transferência de renda compromete o bem-estar familiar e reduz o consumo de bens e serviços essenciais. Além disso, o dinheiro que antes circulava na economia local — fortalecendo o comércio, gerando empregos e impulsionando a renda nas comunidades — acaba sendo drenado para empresas, muitas vezes sediadas no exterior, sem retorno social proporcional.

Dessa forma, embora a mídia promova os jogos de aposta como forma de lazer e o governo os defenda sob o argumento de que geram receita, os prejuízos sociais dessa prática são alarmantes. O vício em apostas provoca dependência, queda de produtividade, rupturas familiares e, em casos extremos, pode levar à criminalidade, depressão e suicídio. Portanto, é urgente revisar a atuação dessas plataformas no Brasil e ampliar o debate público sobre os danos sociais causados por esse mercado em expansão.

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Written by Guilherme Góes

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