Amon Amarth — The Allfather Awakes
Melodic Death Metal
Suécia
Metal Blade Records
Vou começar com a frase mais batida de todos os tempos mas, quem me conhece sabe que eu sou ferrenho defensor do Amon Amarth até 2011 e, apesar de gostar do Deceiver of the Gods (2013), eu já sentia que a banda estava dando uma guinada para uma sonoridade mais simples e acessível. De lá pra cá, a banda tem decepcionado até o fã mais passador de pano, com o pior álbum da carreira deles sendo o fraquíssimo The Great Heathen Army (2022), disco que sinceramente nenhuma música faz jus aos tempos áureos da banda. Agora, em 2026, a banda lança seu sucessor e, mesmo sem expectativas, eu queria sim ouvir um Melodic Death sueco que lembrasse o Amon Amarth de 15 anos atrás.
O disco começa com duas pedradas que me deixou tonto. “Gjallarhorn” e “Eight Legs of Thunder” são duas músicas que poderiam estar no tracklist do Twilight of the Thunder God (2008) e ninguém ficaria surpreso, talvez a grande diferença é o uso de corais pensados em shows que usaram na primeira música, algo que o Amon Amarth tem feito em todos os discos, mas aqui funciona, como já funcionou antes. Os riffs são simples mas criativos e exatamente o que qualquer fã da banda gostaria de ouvir. Johan Hegg continua potente e com uma dicção invejável, não é à toa que ele é dono do primeiro gutural que gostei na vida.
Quem me conhece também sabe que sou viúvo de bateristas, então sempre tive problemas com a saída do Fredrik Andersson da banda em 2015 e acabo correlacionando a má fase deles com essa mudança no lineup. Aqui foi uma das poucas vezes que não senti falta do Fredrik, uma prova disso é como a bateria está bem encaixada e criativa em “Eight Legs of Thunder”. A última vez que tive esse sentimento foi com a “Raven’s Flight” de 2019.
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“Kvsair’s Blood” é uma música mais simples e com menos ímpeto, mas ela traz uma coisa que sinto falta no Amon Amarth dos últimos 10 anos, que é um tema lírico com um bom storytelling, usar letras ao melhor estilo “somos Vikings, vamos morrer com honra, somos Vikings, como é legal ser Viking” não é ruim mas tem sido usado com tanta frequência que cansa e fica superficial demais. A própria “We Rule the Waves” segue por esse caminho mas não é uma música ruim, tem riffs legais, um refrão bom de cantar em show e faz jus ao ser uma das menores músicas do disco.
“Upphaf” é uma boa surpresa, infelizmente poderia não ter sido um single pra ser realmente uma surpresa. Ela tinha tudo para ser um erro chatíssimo e ficar piegas, mas o Johan Hegg é um monstro e o coral funcionou. “Die With a War Cry” segue o mesmo modelo de “We Rule The Waves” só que os seus riffs cavalgantes são irresistíveis e acabo ignorando a letra superficial.
“Raven God” e “The Allfather Awakes” continuam o disco com temas principais melódicos e, mesmo não sendo músicas ruins, ficam aquém do que o disco já apresentou. Mesmo assim, são músicas que seriam destaques nos últimos 3 discos do Amon Amarth.
O disco fecha com “Oden’s Hunt”, na minha opinião uma das mais fracas do disco, tem riffs legais mas um refrão pensado em shows mas que ficou preguiçoso, e a maior música da tracklist, “Ascending Like an Eagle”, termina o disco com uma melodia cativante e uma letra simples mas boa o suficiente pra não ser um fechamento amargo.
The Allfather Awakens resgata um Amon Amarth que sabe compor músicas boas sem pensar em ser acessível e mainstream. Não entra nem para o top 8 de discos da carreira da banda, mas mostra que eles ainda conseguem escrever letras mais complexas, riffs empolgantes e compor um álbum que faça jus ao nome que a banda construiu para si na década de 2000. É a primeira vez em 10 anos que termino um disco do Amon Amarth e fico minimamente empolgado para o que pode vir no futuro.
Melhores músicas: “Gjallarhorn”, “Eight Legs of Thunder”, “Kvasir’s Blood”, “We Rule the Waves”, “Die with a War Cry” e “Ascending like an Eagle”.








