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Manas: silêncios e ausências fundam cenário de espraiamento da violência misógina ante a inépcia e a imputabilidade adultas em comovente filme amazônico de Marianna Brennand

2 min readSep 23, 2025

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Pôster promocional de “Manas” (2024) (Paris Filmes, 2025), longa dirigido por Marianna Brennand e roteirizado por Felipe Sholl, por Marcelo Grabowsky, por Marianna Brennand, por Antonia Pellegrino, por Camila Agustini e por Carolina Benevides vencedor do Prêmio de Melhor Direção da Jornada dos Autores do Festival de Veneza 2024. Foto: reprodução.

Título: Manas
Países de origem: Brasil e Portugal (2024)
Duração: 101 minutos
Gênero: drama
Direção: Marianna Brennand
Roteiro: Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Antonia Pellegrino, Camila Agustini e Carolina Benevides
Produção: Carolina Benevides e Marianna Brennand
Fotografia: Pierre de Kerchove
Montagem: Isabela Monteiro de Castro
Direção de arte: Marcos Pedroso
Som: Valéria Ferro
Desenho de som: Miriam Biderman
Distribuição (Brasil): Paris Filmes
Elenco: Jamilli Correa, Fátima Macedo, Rômulo Braga, Dira Paes

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Latentes aos limites (já) estabelecidos em quadro, os sons da floresta completam o encerramento não natural de Marcielle (Jamilli Correa) ao meio de sua inserção. A despeito da franca vulnerabilidade socioeconômica impressa à vida na Ilha do Marajó, Manas (2024) (Paris Filmes, 2025) faz do cuidado fraternal aspecto solar da infância tornada possível no lar chefiado por Danielle (Fátima Macedo) e por Marcílio (Rômulo Braga). Quando a marca da ausência de Cláudia parecia entretanto cicatrizada à amizade paterna, o convite pioneiro à caça transformaria a presença do patriarca em espaço suscetível a violências e à categoria de abusos própria do sequestro da inviolabilidade do corpo sob o monopólio do poder masculinista.

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Tornada possível em meio à vulnerabilidade socioeconômica vivida na Ilha do Marajó e à saudade de Cláudia, a infância de Marcielle (Correa) finda-se com a transição à adolescência e com o início dos abusos sexuais que transformam a amizade paterna (Braga) em vaga de autodestruição. Fotos: reprodução.

Uma vez adensados, os ruídos do entorno sobrecondicionam o silenciamento de vozes femininas juvenis cujo pedido de socorro replica-se inaudível ao som de hinos religiosos e à inação adultizante. Poderosa, a troca de olhares entre mãe e filha opera sem palavras a comunicação de sofrimento que, mesmo partilhado, assenta-se subopressor pela inépcia resignada e pela geracionalidade irrefreada do trauma misógino. Se a série sugerida de violações potencializa os efeitos sentidos à identidade e à alma de Tielle, a revitimização acertadamente evitada valoriza a perspectiva infantil e define-a força por que resistir ante a forja da sororidade afirmará a permanência em seu lugar, pois de direito.

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Thainá Campos Seriz
Thainá Campos Seriz

Written by Thainá Campos Seriz

Historiadora (UFF). Pesquisa e revisão de conteúdo no Canal Preto. Comento filmes.